June 2011
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Ética, Baruch Espinosa
A maioria dos homens, com efeito, parece crer que é livre na medida em que é permitido aos homens obedecerem ao apetite sensual, e que eles renunciam à sua autonomia enquanto são obrigados a viver segundos os preceitos da lei divina. Creem assim que a Moral e a Religião e, em absoluto, tudo o que se relaciona à fortaleza da alma são fardos de que esperam ser desordenados depois da morte para...
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O leitor leu bem, o senhor ordenou a abraão que lhe sacrificasse o próprio...
– Caim, José Saramago
O Imortal - Jorge Luis Borges
Ser imortal é insignificante; com exceção do homem, todas as criaturas o são, pois ignoram a morte; o divino, o terrível, o incompreensível é saber-se imortal. Tenho notado que, apesar das religiões, essa convicção é raríssima. Israelitas, cristãos e muçulmanos professam a imortalidade, mas a veneração que tributam ao primeiro século prova que só crêem nele, já que destinam todos os demais,...
O Passado, Alan Pauls (II)
(…) Não, não estava voltando para uma casa, nem para o amor de uma mulher, nem mesmo para um passado - porque a casa, o amor de uma mulher e mesmo o passado não são imunes à ação do tempo. Voltava para um museu: o museu em que havia nascido, que o formara, do qual fora roubado e que, no decorrer dos anos, não só se negara a preencher o seu lugar com outra peça como o conservara assim, vazio,...
Essa compulsão de escrever não era nova para ele. Quantas vezes a sofrera?...
– O Passado, Alan Pauls (I)
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O livro por vir, Maurice Blanchot
(…) Houve sempre, entre os homens, um esforço pouco nobre para desacreditar as Sereias, acusando-as simplesmente de mentira: mentirosas quando cantavam, enganadoras quando suspiravam, fictícias quando eram tocada; em suma, inexistentes, de uma inexistência pueril que o bom senso de Ulisses é suficiente para exterminar.
É verdade, Ulisses as venceu, mas de que maneira? Ulisses, a teimosia e...
Em nome da Terra - Vergílio Ferreira
(…) Havia a noite e o teu corpo branco e tudo era longe para não perturbar e não levar nada do que me pertencia. Era belo o teu corpo, terrível. Tanto que sinto ainda agora o dente rangido, podes crer. E porque é preciso pensar a morte para te pensar mais a ti? Pensar a morte do mundo para haver mais vida? Mas, como sempre, penso o teu corpo sobretudo nas mãos. O tacto, querida, é o sentido...
La curiosidad pudo más que el miedo y no cerré los ojos.
– Jorge Luís Borges In: There are more things